Prouni - indignação de um ex-aluno



O Prouni (programa universitário) quando surgiu, parecia ser a solução definitiva para realização do sonho da graduação para aqueles que tiveram a má sorte de nascer em uma família na qual estivesse inraizada a "herança" de uma educação insatisfatória, medíocre e desqualificada a qual sempre foi oferecida pelo nosso país. Eu nasci numa dessas famílias, passei necessidades extremas. Contudo, Deus me deu proatividade, força de vontade, honestidade, curiosidade, e percepção aguçada, essas características estão impregnadas em mim, estão na minha alma. 

Por possuir essas características, acreditei que pudesse e que fosse possível realizar meu maior sonho, ser Engenheiro. Para tentar concretizar este sonho, realizei em 2007 o exame nacional do ensino médio (ENEM), mas não consegui uma nota compatível para a obtenção de uma bolsa de engenharia. Na ocasião, a nota me deu a oportunidade  de cursar Letras com 50% de desconto. Como não possuia nenhuma graduação, resolvi iniciar este curso. Estudei Letras o ano de 2008 todo, mas realmente não era o que eu queria para mim. Em busca do meu sonho, em 2008 realizei novamente o Enem, e desta vez consegui uma nota que me deu a oportunidade  de "ganhar" uma bolsa integral de Engenharia de Produção. Optei por fazer o curso na própria faculdade na qual eu cursava Letras. O processo de mudança de curso, me causou um transtorno e uma insegurança muito grande, pois como já citei, nasci em família desprovida de conhecimento e educação, minha mãe por exemplo, é analfabeta. Mesmo sabendo das minhas reais condições intelectuais,  iniciei o curso de Engenharia de Produção. Estava convicto das incertezas e dificuldades que por ventura pudessem vir, mas o sonho e a vontade de fazer este curso me "falava mais alto", me alavancavam.

No primeiro semestre do curso, devido as disciplinas de exatas, infelizmente, peguei duas dependências. Elas me fizeram assinar o "perdão" - única chance que o Prouni dá em um curso superior ao aluno quando não se consegue atingir 75% de aprovação nas disciplinas. No semestre seguinte ocorreu tudo bem, consegui passar em todas as disciplinas. Porém, no terceiro semestre novamente não consegui aprovação em 75% de aprovação nas disciplinas cursadas. Em meados de setembro do ano de 2010, no quarto semestre, a instituição me chamou para assinar o termo de encerramento de bolsa do Prouni. Mesmo sem condições financeiras para pagar as mensalidades do curso, resolvi terminar aquele semestre. Em dezembro deste mesmo ano, pedi e praticamente implorei ajuda a faculdade, contei em detalhes sobre minha vida e sobre minhas condições financeiras para que eu pudesse continuar estudando. Eles me concederam um desconto excelente a partir da segunda mensalidade para o quinto semestre. Por ter dívidas na faculdade, e por não ter condições para pagar a primeira mensalidade integral, obriguei-me a pedir o tracamento da matrícula no sexto semestre.

Hoje, tenho trinta e sete anos (37), não tenho tempo para perder, pois já deveria estar formado e atuando, mas diante de todos esses fatores, não sei quando e como conseguirei terminar este curso. Mesmo assim, eu agradeço a Deus por ter iluminado a mente do povo brasileiro que votou e elegeu alguém com o ex. presidente Lula, que veio também das camadas mais baixas da sociedade, e que por isso teve discernimento para compreender a necessidade de uma formação superior. Na sua gestão, tiveram incentivos e investimentos na educação brasileira. O Prouni, criado em seu mandato, acendeu uma luz no fim do túnel para os menos favorecidos. Contudo, faz-se  necessário uma avaliação mais criteriosa para que seja retirada e encerrada uma bolsa de estudo do Prouni. Assim como eu, milhões de pessoas não conseguem ter o devido preparo, frequentando escolas públicas. Consequentemente, não terão sucesso em determinados curso superiores, como é o caso do curso de Engenharia, por exemplo. É preciso analisar que um curso superior é um esfera totalmente diferente daquelas que perpassamos nas séries iniciais. No ambiente da graduação, ocorrem dificuldades, sensação de impotência, cobranças dos pais porque acreditam que se o filhos tinham as melhores notas anteriormente, são capazes de continuar tendo na faculdade. Há frustração, cansaço, desânimo, despreparo dos alunos, enfim, uma série de fatores que o aluno tem que vencer. Eu sempre lutei muito e procurei agarrar com firmeza a oportunidade que tive. Aquilo que estava dentro das minha condições eu fiz.

Peço encarecidamente ao Ministro da educação e a todos aos dirigentes deste programa universitário, que analise a possibilidade de rever e melhorar os critérios para a retirada do benefício do aluno do Prouni. Cabe ressaltar  aqui, que antes do encerramendo da bolsa, é necessário analisar a frequência do aluno, o grau de dificuldade que ele enfrenta nas disciplinas mais complicadas, enfim, seu rendimento acadêmico. Ora, um aluno que vai a faculdade, é participativo, esforçado, mas tem dificuldades devido a "herança" que recebeu do país no quesito educação pública, não pode ser penalizado. Para efeito de curiosidade, as disciplinas que envolvem exatas são responsáveis pelo maior número de reprovação em todo mundo. Diante disso, não tem nenhum cabimento oferecer bolsas em universidades privadas nas quais o nível de ensino é mais puxado, aos alunos que vieram de escolas públicas com um nível de ensino aquém do esperado.
Obviamente, grande parte deles terão dificuldades.

Futuro aluno do Prouni, entenda o seguinte: o Ministério da Educação quer que mostremos na faculdade aquilo que não nos foi oferecido com qualidade nos anos escolares anteriores. Se o programa não rever os conceitos, acredito então, que seria melhor oferecer essas bolsas a todas as pessoas independentemente da renda familiar, pois assim, apareceriam alunos melhores preparados das escolas particulares. Neste período de faculdade, pude tirar muitas conclusões a respeito dos alunos de escolas públicas e privadas. Alunos vindos de instituiçoes particulares, não tinham dificuldades acentuadas, enquanto os das públicas, era uma catástrofe.

Até que me provem ao contrário, percebo que no Brasil o pobre definitivamente, não tem vez para se desenvolver intectualmente. Oferem-nos universidades públicas, mas os melhores cursos são ocupados por alunos preparados pelos pais em escolas particulares e com condições de sobra para pagar um curso superior. Ou seja, nos "roubam" o direito de fazer o curso que desejamos. Numa universidade pública, o aluno pode ficar até "jubilar" e não corre o risco de lhe tomarem a bolsa de estudo. Por outro lado, para apaziguar a situação, nasceu o Prouni, que diga-se de passagem, é uma das melhores coisas que já vi acontecer neste país direcionada aos pobres. Entretanto, como já falei, precisa passar por melhorias.

Conclusão, o país precisa colocar a educação como prioridade assim com fez a Finlândia nos anos 40, e hoje é referência mundial em educação. Hoje, há uma falta muito grande de mão-de-obra qualificada, empresas estão importando pessoas com formação em ciência e tecnologia para compor seus quadros.
Estamos vivendo um "apagão" de mão-de-obra no Brasil, e esta situação tende a piorar. Priorizar a educação, é investir na qualificação continuada dos professores da rede pública, pagar um salário digno, manter as escolas estruturadas e oferecer uma educação base de qualidade.

Aos futuros alunos do Prouni, digo para não se iludirem, com a obtenção de uma bolsa de estudo, pois se a mesma não for escolhida dentro das suas condições intelectuais, poderá se tornar sua maior frustração. Uma excelente nota no Enem, não significa sucesso acadêmico.

[Ex-aluno do Prouni - Autor desconhecido]

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1 comentários :

Anônimo disse... [Responder comentário]

não costumo fazer comentários em páginas, mas fiz questão de deixar meu comentário aqui!!! Também sou aluna bolsista do pro uni e concordo que é um excelente programa , porém devem ser reavaliados os critérios que estão sendo utilizados para um encerramento de uma bolsa do pro uni...#ficadicaprouni

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