Meu direito começa onde não existe o seu - aluno hiperativo ou bagunceiro?



Estranho o título do artigo não é? Nem tanto. Ele resume um pouco a época em que vivemos onde princípios e opini­ões são vistos como pre­conceitos e obrigações e deveres só existem se es­tiverem dentro do campo do conforto e do pouco esforço.

Antigamente, criança que atrapalhava a aula era mandada pra sala da diretoria onde o diretor lhe dava uma bronca da­quelas e tudo se resolvia.

Hoje esta mesma criança vai ao psicólogo e ao psiquiatra e é diagnosticada com TDSH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperativi­dade), toma alguns remé­dios contro­lados e os pais orientam o colégio a tratar filhinho bagunceiro e sem limites como uma criança doente. Doentes irão ficar os pais quando o filho chegar na adoles­cência.

Existe um termo não muito utilizado nos dias de hoje mas que estamos muito acostumados na prática: iniqüidade. Ini­quidade é o oposto de igualdade, é o injusto, o errado, o pecado, os dois pesos e duas medidas. Ficamos tão preocupados em não ser culpado de nada que fomos ao outro extremo onde confun­dimos responsabilidade com culpa. E dá-lhe an­siolíticos para amenizar nossas responsabilidades e frustrações. Tem tam­bém aqueles que passam a tarde no shopping para anestesiar a impotência perante os assuntos e decisões que norteiam nossa vida e o caráter de nossos filhos. Hoje não posso ter um conceI­to definido sobre um determina­do assunto que corro o risco de ser processado. Não posso chamar a iniqüidade de iniqüidade. Tenho que chama-lá de comporta­mento, de opção.

Que nossa consciência não se cauterize e toda vez que levantarmos a voz reivindicando algum direito possamos lembrar que por haverá a cobran­ça de um dever que é so­mente nosso e que isso não fere, não traumatiza e não dói. Apenas harmoniza.

[Murilo Haddad]

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3 comentários :

Toaky agregador de LINKS disse... [Responder comentário]

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Eu tô aqui e você?

Li disse... [Responder comentário]

Como alguém que é hiperativa e tem tdah, posso falar por experiência própria: sofri nos anos do colégio por ser inquieta e não conseguir prestar atenção. O sofrimento permaneceu durante a faculdade e só hoje, alguns anos após, pude receber o diagnóstico que tem me ajudado a melhorar. No entanto, vejo que suas palavras estão cobertas de razão: as pessoas encaram a hiperatividade e o déficit de atenção como um atestado de que a criança/adolescente tudo pode, já que ele é doente. Não sou doente, nunca fui uma criança ou uma adolescente insolente e abusada. O que falta a pais, escolas e psiquiatras é o bom senso de compreender que educação é um valor que recebemos em casa e que o comportamento agressivo e bagunceiro de alguns é mais fruto da falta de limites do que do tdah. Mas como se sabe, é bem mais fácil medicar uma criança e deixá-la quieta ao invés de ensiná-la a respeitar os demais. Ensinar dá trabalho, é cansativo.

Parabéns pelo texto.

Elizeu Timóteo Pereira disse... [Responder comentário]

Olá Li, muito boa noite!

Puxa Li! Fiquei muito feliz quando li seu comentário! Que bom que apareceu alguém que sofreu e/ou sofre com este distúrbio para faze r um comentário que realmente só vem a agregar benefícios a postagem! Concordo contigo, TDSH não é doença, mas sim um transtorno. Realmente, ensinar dá muito trabalho e o bom senso é um fator fundamental em todas as áres das nossas vidas! Obrigado pelo excelente comentário, e volte sempre aqui! Abraço.

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