A escola e a sociologia contemporânea



Nessa nova sociedade, a cultura capitalista põe a ciência em des­taque, mostrando que a vida moderna só pode ser entendida pela ótica dos métodos científicos e, com isso, a educação deixa de refletir apenas os valores religiosos como no tempo da sociedade feudal para ter a ciência como base.

Será nesse contexto ideológico da nascente sociedade industrial que nasce uma nova instituição responsável por essa educação: a escola. Percebemos que uma das características da revolução ideológica ca­pitalista foi transportar uma educação que durante o feudalismo ocor­ria na família e na Igreja para a instituição escola. Nasce assim a escola: uma instituição com normas específicas, agentes próprios (di­retores, professores, alunos, orientadores pedagógicos etc.) e toda uma hierarquia. A escola se propõe o objetivo de preparar os indivíduos para a vida em sociedade ao mesmo tempo que desenvolve suas apti­dões pessoais.

Com isso, nasce também nova estrutura de ensino: muitas salas de aula, muitos alunos numa só sala, provas, notas, porcentagens de freqüência, carteiras em filas, diplomas. Tudo com o objetivo de educar massa cada vez maior de indivíduos, tentando adaptá-los aos valores dessa nova sociedade capitalista do século XVIII.

A escola que conhecemos hoje é produto dos séculos XVIII e XIX, período em que aparece a idéia da necessidade de educação pública e obrigatória para todas as pessoas. Já em 1619 encontramos na Alemanha, Escócia e Holanda uma educação que se dava através de escolas garantidas pelo Estado para crianças de 6 a 12 anos. Será, porém, a partir da Revolução Francesa, em 1789, que se expande por toda a Europa e América a necessidade de instaurar o ensino público e científico para todos.

Entretanto, a nova organização social do capitalismo teve um desenvolvimento contraditório, pois enquanto uns poucos se enrique­ciam - proprietários dos meios de produção - a maioria empobrecia. A fábrica, que redimensionava o avanço da ciência e o desenvolvimento de novas formas políticas, pagava salários baixíssimos, forçava a mi­gração da massa rural para as cidades e ainda trazia desemprego. A técnica trazia novas curas para doenças outrora incuráveis, mas tam­bém o desenvolvimento da indústria bélica.

Numa sociedade com progresso contraditório, o capitalismo sem­pre passou por períodos de crises econômicas, desequilíbrios políticos e inúmeros conflitos. É nessa época que nasce a Sociologia: ciência inicialmente preocupada em restabelecer a ordem perdida do capita­lismo. Com isso, percebemos que a Sociologia não é fruto do trabalho de um só pensador, mas de uma época, de uma nova organização social que trouxe problemas para ser interpretados e, nesse sentido, são muitos os que passam a desenvolver estudos com a preocupação única de tentar entender essa nova ordem social. Dentre eles, podemos citar aqueles que são considerados clássicos na Sociologia: Émile Dur­kheim (1858-1917), Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920). Esses três pensadores são considerados os clássicos, pois desenvolve­ram três teorias que acabaram se tornando as bases de interpretação da sociedade capitalista: a Sociologia funciona lista, a crítica e a com­preensiva. Os sociólogos contemporâneos como Dewey, Mannheim, Establet, Baudelot, Snyders e outros se orientaram pelos autores clás­sicos.

É importante ressaltar que a educação como questão nunca deixou de ser analisada, porque se constitui numa parte integrante da socie­dade. Mesmo se breves, em alguns casos, as referências dos sociólogos clássicos à educação acabam por ser contribuições teóricas muito im­portantes para que os sociólogos contemporâneos possam se especia­lizar no estudo da educação e criar aquilo que poderíamos chamar de Sociologia da Educação.
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