Classe C no controle - força Globo a mudar programação



O aumento da classe C no País - que hoje con­ta com pouco mais de 100 milhões de brasi­leiros, segundo o instituto Data Po­pular - tem influenciado grandes mudanças na televisão aberta. E não é para menos: a maioria das pessoas da chamada nova classe média (53 %) tem a tevê como principal fonte de lazer e 74% delas assiste aos canais com o objetivo de se manter infor­mado - os telejornais estão no topo da lista de preferências, seguidos por novelas e programas esportivos.

Os dados fazem parte da pesquisa "A Classe C na TV", divulgada no mês passado pelo Data Popular, que há 10 anos estuda a população emergente do País. E na corrida por maior audi­ência, a "Rede Record" tem registra­do muitas conquistas. De acordo com dados consolidados sobre a audiência da tevê aberta no Brasil, divulgados no começo do mês pelo jornal "Fo­lha de S. Paulo", a "Rede Globo" perdeu 8% da audiência no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, enquanto a "Record" registrou aumento de 2% na audiência geral. Além disso, o portal "Uol" noticiou, também no início deste mês, que, na tentativa de recuperar a popularidade que vem perdendo entre os telespectadores, a "Globo" iniciou um processo de mudanças em seus programas jorna­lísticos, incluindo a troca de apresen­tadores, como no caso do telejornal matutino "Bom Dia Brasil". Segundo o site, a reformulação no programa seria uma tentativa de torná-la mais popular para concorrer com o "Fala Brasil", da "Record", cuja audiência cresceu 450% desde 2003.

O levantamento do Data Po­pular foi realizado com base em entrevistas com 5 mil pessoas de todo o Brasil no último trimestre de 2010 e outras 5 mil das regiões metropolita­nas, no primeiro trimestre deste ano.

"Durante muito tempo, o mer­cado publicitário e as emissoras de televisão se preocupavam em se vender para o que denominavam audiência qualificada. Para eles, as classes A e B. Agora, porém, os anunciantes procuram se comuni­car com a classe C e estão obrigando as emissoras a fazerem o mesmo. A diferença é que algumas emissoras perceberam essa mudança antes do que outras", explica Rena­to Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.

Para ele, um modelo interessante de programa voltado a esse público é o matutino "Hoje em Dia", da "Record". "Ele junta en­tretenimento, serviços e jor­nalismo, contextualizando os assuntos no dia a dia das pessoas. Também há uma busca pelo jornalismo mais descontraído, que comenta e explica as notícias, como fazem Celso Freitas e Ana Paula Padrão, no Jornal da Record"', acrescenta.

Ainda de acordo com a pesquisa, os apresentadores da "Rede Record" Ana Hi­ckman e Rodrigo Faro são os que mais prometem cair nas graças da nova classe média brasileira. Para os telespecta­dores, ela demonstra a possi­bilidade de ser rica e simples e de emagrecer e fazer suces­so. Ele transmite a mensagem de que não é preciso dinheiro para se divertir e que a felici­dade é possível.

Para a professora de au­diovisual da Escola de Co­municações e Artes, da Universidade de São Pau­lo (USP), Marilia Franco, o crescimento da classe C é uma das razões para a tevê não ter perdido audiência na última déca­da. "A ascensão da classe C pro­vocou redistribuição da audiência entre as emissoras", diz. "Com a chegada do Pla­no Real, todas as emissoras passaram a reali­zar programas mais popula­res. Isso se deve à chegada ao mercado de uma nova audi­ência, provocada pelo ingres­so de 30 milhões de pessoas para as classes C e B e a venda de 6 milhões de aparelhos a  quem nunca havia tido a oportunidade de assistir te­levisão", lembra Sérgio Mat­tos, doutor em Comunicação pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos.


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