Como enfrentar os medos



É possível treinar o cérebro a manter a calma mesmo diante de situações muito estressantes. Isso também contribui para afasta r os riscos do excesso de ansiedade, que limita a vida e faz sofrer.
Imagine o seguinte: você acorda no meio da noite. Sonolento, lateando na escuridão, vai até a cozinha bus­car um copo d'água. E aí, ao acender a luz, dá de cara com uma ratazana daquelas. A reação do corpo é imediata: o coração dispara, à respiração se acelera, os músculos se enrijecem. Impossível man­ter a calma? Bem, em momentos de susto como esse, há quem consiga, pelo menos, não entrar em total desespero. Por quê? Foi exatamente essa pergunta que se fez um grupo de pesquisadores do Instituto Médico Howard Hughes, nos Estados Unidos. Conduzidos por Eric Kandel, cientísta laureado com um Nobel, eles observaram o compor­tamento e as respostas cerebrais de cobaias submetidas ao que eles cha­mam de inibições condicionadas do medo. Primeiro os animais foram ensi­nados a associar a sensação de seguran­ça a determinados sons. Depois, enfren­taram situações reais de estresse. Os cientistas, então, examinaram as ima­gens cerebrais obtidas por meio de res­sonância magnética e notaram que, na hora agá do pânico, o efeito dos sons foi tão eficaz quanto o de medicamentos.

"O interessante é que esses sons não acionavam a mesma área dos remédios", diz Kandel. Aonde ele quer chegar: haveria no cérebro regiões extremamente poderosas no controle de ansiedades e fobias - estados afetivos cada vez mais frequentes no mundo moderno. Em tese, todos nós poderíamos ser treina­dos a acioná-las para evitar o pânico.

Uma boa pergunta é: quando isso seria desejável? Afinal, o medo é um mecanismo vital para a sobrevivência humana. Na opinião do médico Paulo Bertolucci, chefe do Setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, essa emoção merece tratamento quando impede a execução de atividades do dia-a-dia e causa sofrimento. "O indiví­duo não pode ser governado pelos seus medos", diz ele. "Quando vira refém, deve procurar ajuda depressa." E aí seria ótimo se tivesse a chave desses centros apaziguadores na massa cinzenta.

O psiquiatra e pesquisador Antonio Egídio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico e Respiração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que o temor diante de situações específicas pode ser inato ou adquirido. "Ou seja, a pessoa herda ou desenvolve alguns medos durante a vida", esclare­ce. Os medos patológicos e limitantes normalmente se encaixam na segun­da situação. São geralmente pavores irracionais, que paralisam o indivíduo ou, ao contrário, o levam a ter reações desproporcionais em relação à ame­aça. No jargão médico, esse quadro é rotulado como transtorno de ansiedade.
 
Sabe aquele frio na espinha momentos antes de o carrinho despencar na mon­tanha-russa? Ele é normal. Não fosse essa sensação, não teríamos nenhuma reação diante de qualquer perigo. "Isso só não pode aparecer a todo instante, tomando-se uma resposta incontrolável diante de determinado objeto ou situa­ção. Aí estamos falando em fobia", diz o psiquiatra Marcio Bemik, coordena­dor do Ambulatório de Ansiedade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Segundo ele, cerca de 13% dos brasileiros têm algum grau de fobia social - o receio exagerado do julga­mento negativo de outras pessoas. Mas existem outros tipos frequentes de fobia. "As mais comuns estão relacionadas a animais, tempestades, altura e doenças, mas situações como voar, pegar eleva­dor, ver sangue ou ferimentos, engasgar e vomitar também despertam um pavor danado em muita gente." Não é o tipo de medo que determina uma fobia, mas sim se ele interfere pra valer na vida da pessoa ou causa sofrimento intenso.

Uma das mais eficazes ferramentas da medicina contra situações desesperado­ras é a terapia cognitivo-comportamen­tal. Ela proporciona um treino à mente - talvez comparável ao das cobaias ensinadas a regastar a sensação de segurança pelo cientista ganhador do Prêmio Nobel. Por meio dela, o paciente se condiciona a enfrentar o medo ao mesmo tempo que recebe estímulos positivos para lidar com seus pensamentos. "O primeiro passo é fazer com que o indivíduo deixe de asso­ciar o objeto temido à catástrofe", explica o professor Nardi, da UFRJ. "Depois, ele passa a ter contato real com as situações que despertam seus temores."

Em casos de medos leves, técnicas de relaxamento e respiração, além de ati­vidade física aeróbica, ajudam bastante. Mas o enfrentamento gradual do medo ainda é a maneira mais eficaz de supe­rá-lo. Quem chega a suar frio só em se imaginar fazendo uma apresentação, por exemplo, pode começar falando para pou­cas pessoas e, com o tempo, ir se expondo a audiências cada vez maiores. "A ajuda profissional é importante, porque definir o ritmo de exposição ao que gera pavor não é simples. Se o processo for rápido ou lento demais, não funciona." Uma coisa é certa: na hora da tensão, você precisa saber o que lhe traz uma sensação de segurança, ou seja, o que no seu caso equivaleria ao som ouvido pelas cobaias. E, claro, só você conhece essa resposta. Mas vá atrás dela, porque não dá para viver com medo. No fundo, todos têm a ver com a ansiedade e podem atrapalhar um bocado a nossa vida

Temores e Temores

No fundo, todos têm a ver com a ansiedade e podem atrapalhar um bocado a nossa vida.

ANSIEDADE GENERALIZADA

É assim que os médicos classificam quadros de preocupação excessiva com questões de toda sorte - dinheiro, trabalho, famfiia, saúde ... Sabe aquela criatura que fica com medo de tudo o que poderia dar errado em todo tipo de situação? Isso provoca fadiga, desconcentração, irritabilidade, tensão muscular e sono de péssima qualidade.

AGORAFOBIA

É o medo de passar mal em locais abertos e não receber socorro imediato. Costuma estar associado ao transtorno do pânico.

FOBIA SOCIAL

Trata-se do temor de se expor. Para quem sofre disso, falar em público, ir a uma festa e até comer na frente dos outros é aterrorizante. Essa fobia é uma espécie de timidez patológica.

FOBIAS ESPECÍFICAS

Desespero diante de animais (ratos, baratas), fenômenos naturais (trovões, tempestades), sangue (ferimentos) e locais (altura).

PÂNICO

Sensação de medo que entorpece o indivíduo, privando-o do autocontrole. Seria uma reação normal diante de uma ameaça real, mas 10% das pessoas sofrem crises sem motivo aparente.
Parte delas morre de medo de que a crise se repita. É medo alimentando o medo.

ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Choque causado por situações de estresse físico ou emocional, tais como estupros, acidentes, assaltos e sequestros. A vítima revive o trauma em sonhos e pensamentos, apresenta torpor emocional e tem sintomas de depressão, além de dificuldade cognitiva. 

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